Brincando para viver melhor: A importância do "flow" e da atenção plena nas atividades diárias
Imagem: Erik Witsoe @ewitsoe
Meu marido e eu adoramos jogar pickleball! Desde que começamos a praticar este esporte, passamos muitas horas divertidas jogando com amigos. Muitas vezes, no final de uma partida movimentada, sentimos uma sensação de energia renovada e alegria. Além dos benefícios físicos, como a liberação de hormônios como dopamina, serotonina e endorfina, há um outro fator importante que contribui para nosso bem-estar: estarmos completamente imersos no momento durante uma boa partida de pickleball.
O psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi, em seu livro Flow: A Psicologia do Alto Desempenho e da Felicidade, descreve a experiência de flow – um estado mental no qual estamos tão focados em uma atividade que alcançamos uma total absorção e um estado de felicidade ideal.
“Uma mente que vagueia é uma mente infeliz.”
Matt Killingsworth
Além disso, o pesquisador Matt Killingsworth, em uma pesquisa inovadora, comprovou que "uma mente que vagueia é uma mente infeliz". Ele mostrou que, apesar de avanços significativos em áreas como riqueza, expectativa de vida e tecnologia, as pessoas não estão necessariamente mais felizes. Sua pesquisa consistiu em um aplicativo que enviava notificações aleatórias para os participantes, com perguntas sobre o que estavam fazendo e como se sentiam naquele momento. O resultado mostrou que as pessoas eram mais felizes quando estavam focadas no presente, em comparação com os momentos em que suas mentes estavam divagando.
No livro Caminhos Zen: Uma Introdução à Filosofia e à Prática do Budismo Zen, o professor Bret W. Davis compartilha uma história do mestre Zen Yamada Mumon, que reflete sobre o verdadeiro objetivo da vida. “Um estudante de filosofia da Universidade de Quioto perguntou a Yamada Roshi: Qual é o objetivo da vida? E ele respondeu sem hesitar: Brincar. O mestre explicou que atividades como estudar, trabalhar, dirigir ou cozinhar, quando feitas apenas com o objetivo de alcançar algo no futuro, perdem seu valor intrínseco. Quando atingimos um objetivo ou resolvemos um problema, e temos um momento de lazer, o que fazemos? Brincamos. A brincadeira, de acordo com Yamada Roshi, é um fim em si mesma – não há necessidade de buscar algo além do prazer da atividade em si. Quando estamos realmente imersos na diversão, fazemos isso pelo prazer de estar no momento.”
É importante notar que Yamada Roshi não sugere que devemos "brincar" apenas em momentos de lazer, mas sim que a verdadeira "brincadeira" deve ser uma atitude que permeia todas as nossas ações, mesmo nas atividades mais sérias. Ele nos ensina a buscar um equilíbrio, fazendo de cada tarefa orientada por um objetivo não apenas um meio para atingir um fim, mas também um fim em si mesma.
É fácil perceber por que nos sentimos tão alegres após uma partida de pickleball. Durante o jogo, conseguimos alcançar o estado de flow, nos tornando totalmente absorvidos na atividade e desconectados das preocupações externas. Esse conceito se aplica a todas as nossas atividades cotidianas. Quando conseguimos trazer nossa mente distraída para o momento presente e focamos completamente no que estamos fazendo, experimentamos um bem-estar mais profundo.
Na próxima vez que sair para uma caminhada, tente se aprofundar na experiência e alcançar um estado de plena concentração. Observe os pequenos detalhes ao seu redor: perceba o ritmo da sua respiração, sinta o vento acariciando seu rosto, o calor do sol aquecendo sua pele, e a sensação dos pés tocando o chão a cada passo. Ao focar totalmente no presente, você se desvinculará do turbilhão mental e se conectará de forma direta com a experiência vivida – uma prática que traz uma sensação de calma e serenidade incomparáveis.